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segunda-feira, 26 de abril de 2010

Auto-Flagelo Coletivo

São dez pra meia noite de um domingo escaldante qualquer. Pouco fiz hoje. Acordei, sorri para o sol de manhãzinha e corri pra escovar os dentes. Me perdi durante algum tempo rodando na cama pra terminar mais uma parcela daquele sono à prestações. Sem sucesso, levanto, e já é hora do almoço. Almocemos, pois. Conversas, garfadas, algumas historias sem delongas. Pô, rola uma troca de idéias com o coroa. Papo massa. Uma amálgama de sonhos e gerações. Porra! Por que nunca fiz isso antes? Sei lá. Mas afinal o que é que a gente sabe realmente? Muita prepotência nossa pensar que pode ensinar alguma coisa. O mundo é tão grande e cheio de detalhes. Não sabemos nem mesmo como funciona nosso cérebro e queremos entender o segredo do universo. Tanta coisa pra pensar. Quantas pessoas que eu nem conheci ainda. É jovem! Essa vida é curta pra caralho. Porra, fico pensando, o mundo tem mais de 1 bilhão de pessoas que eu nunca vi. É estranho pra cacete pensar que, se pá, eu não chegue a conhecer mais de mil. Fala aí, quanta coisa a gente não perde porque não tem tempo o suficiente pra fazer amizades. Dá pra sentir que tá faltando alguma coisa. Tem alguma coisa estranha. A gente se esqueceu de umas coisas importantes. Respeito. Onde foi parar essa palavra? Ou, pelo menos, onde foi parar esse sentimento? Cara, você sai na rua de carro e a galera não tá nem aí pra quem você é. Treta por motivo idiota, tipo, uma fechada que você deu sem querer. Nesses tempos frenéticos, de correria absoluta, as pessoas andam vendadas, enxergando só o nó do umbigo. Parece até uma manada desgovernada. Isso me entristece. É foda pensar que a humanidade caminha a passos largos, marchando em pelotão rumo ao abismo e ninguém tá nem aí. Vai todo mundo na maior balbúrdia, parecendo bloco de carnaval, em direção ao buraco negro de uma época. Cadê aquele idealismo? Onde foi parar o bom senso, a compaixão? Pra quê que a gente pensa então? A gente só pensa merda, só pensa em como foder com alguém. Bomba atômica, violência, consumo. PORRA! Tão estuprando a nossa mente com um monte de lixo no Fantástico. E tudo que a gente faz é se contentar com a ração diária de babaquices que são bombardeadas na nossa cara por todos os lados e, de todos os jeitos. Na segundona acorda de mau humor e volta pra merda da rotina. Parece até um curta metragem que fica reprisando uma porrada de vezes. Tipo vinheta da MTV. Onde a gente quer chegar? Pra que? Sinceramente, eu não sei. Enquanto tem gente morrendo de obesidade nos EUA de tanto comer BigMac, tem mó galera chorando por um prato de farinha. Tamo perdido véio. Destruímos tudo. Tipo um rei Midas do avesso. Fodendo com tudo quanto é coisa que a gente toca. Será que ninguém percebe que tá na hora de mudar de atitude? Num tá na hora de sacar a merda que a gente tá fazendo a nós mesmos? Quanta burrice! Não tô dando uma de profeta não. Tô só pondo uma verdade sobre a mesa. O foda é saber que o ser humano é tão perverso que tá destruindo o planeta todo e, ao invés de colocar a mão na cabeça e rever as atitudes, tá querendo povoar outro planeta. Que isso cara? Que dificuldade de pensar simples. E o pior é que eu sei que se algum dia rolar uma nave pra povoar Marte só vai dar os magnatas e, justamente por não estar incluso na excursão é que eu me preocupo. Cada dia eu acordo feliz. Graças a Deus! Não pelo mundo. Mas porque eu to ligado que, aqui, dentro do peito, no meu universo individual, eu to fazendo minha parte. Sabe, a cada instante a gente pode mudar o rumo da história. Cada minuto que passa é uma oportunidade de salvar o mundo. Construir coisas novas. Compartilhar. Ser realmente irmão. Não quero seguir essa correnteza de crescer, ganhar uma grana trampando, comprar um carro pra pegar um montão de mulher que eu nem vou lembrar daqui uns meses, casar com uma pessoa que eu nem conheço direito, ter filhos e morrer perpetuando toda essa ganância que nos consome. Eu quero mais! Eu quero vida! Quero abraços, sinceridade, amizades. Quero poder olhar no olho das pessoas e acreditar que vale a pena tudo isso. Quero criar elos. E eu sei que é possível. Podemos mudar o mundo de verdade. Mas muita gente não sabe disso. Prefere olhar pro céu e por a culpa em alguém. É mais fácil não?! É só pararmos com essa entorpecência (me perdoe o neologismo) de arrogância. Vamo olhar pro lado. Reconhecer que todo mundo é igual. Nasceu pelado e vai morrer inevitavelmente. Sinceramente. A gente pode fazer algo. Tô fazendo o que posso. Tô colecionando momentos e lembranças. Levando um pouco e deixando um tanto. No mínimo, to fazendo parte. Sabe, é utópico eu sei. Mas isso não quer dizer que seja impossível. Não digo que eu tô certíssimo. Longe disso. Mas eu to vendo o que tá errado e, não to afim de contribuir. Eu posso não salvar o mundo. Mas é certo que vou morrer tentando. No fim, acho que vai valer a pena.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Autoritarismo Ideológico

“O autoritarismo ideológico, muitas vezes, se esconde em falsos discursos de liberdade.”

O que pode ser definido como liberdade?

Avisem-me caso eu esteja tomando decisões precipitadas, mas entendo como liberdade não só o fato de libertarmo-nos do Estado. A liberdade se faz em diversos níveis, não apenas no ideológico anti-estado. Tenho a concepção de que a liberdade se dá pelo livre conhecimento e pela ausência da carência de tutores. Logo, se uma pessoa pensa e age independentemente da influencia de tutores e segundo sua própria consciência, ou seja, de forma autônoma, presumo eu, que a liberdade está explicita.

Entretanto, muitas vezes vemos ao nosso redor certa crítica à maneira de expressar a liberdade. Tenho notado que muitos vem tentando delimitar os parâmetros do modo de se expressar a liberdade. O simples fato de rechaçar, repudiar ou mesmo ridicularizar uma determinada expressão de liberdade constitui o Autoritarismo Ideológico. Como posso defender a liberdade se não posso nem mesmo reconhecê-la quando demonstrada de outra forma? Proponho aqui uma análise. Será que conseguimos reconhecer a liberdade em outras “roupagens”, em outras formas de expressá-la? Ou ficaremos presos ao falso discurso, desmerecendo a expressão de liberdade que não a nossa própria?

A liberdade está na livre expressão, na liberdade política, no pensamento livre e solto, na arte como forma de manifestação.

Não há como padronizar a liberdade. Podemos expressar a liberdade mesmo em estruturas rígidas e aparentemente imutáveis. Ao reinventarmo-nos já estamos fazendo tal ato. Se a subjetividade é por natureza criadora, certamente é também livre. Acredito que a liberdade sendo um conceito subjetivo, assim como outros, como amor, amizade, entre outros, é também primordialmente criativa. Ou seja, assim como um sentimento como amizade para cada indivíduo tem um significado diferente, da mesma forma a liberdade também é subjetiva e individual, cabendo a cada individuo criar sua maneira de expressar a liberdade

Que seja expressa, sem barreiras, qualquer forma de liberdade. Qualquer manifestação artística e política que conteste as normas de sociedade, de mundo, de existir. Sem restrições, sem ridicularizações, sem hipocrisia quanto ao que é ser livre. E se cada um tiver a capacidade de se auto-analisar e descobrir se está tendo uma conduta ideológica autoritária repressiva, e através desta analise puder ponderar-se, acredito que aí sim poderemos então ser livres de Estado, tutores, opressores, repressores e todo tipo de padronização e delimitação do modo de pensar, ser, agir e existir.

“... o ser humano pensa, tem inteligência, consciência e vontade e é livre para a formação do seu convencimento. Assim, se eu prender uma pessoa num subterrâneo, amordaçada e acorrentada, essa pessoa continua livre, pois eu não acorrento seu pensamento, a formação de suas convicções e a formação interior da sua vontade.”

(Dalmo Dallari)


Um texto meu

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Trips or Tripping (?!)

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Amyr Klink